domingo, 4 de abril de 2010

O medo de não estar no mar

E lá estava ele. Azul, gigante à minha frente. Missão: dar o primeiro passo. O barulho, lembro agora, era suave, gostoso como o aconchego da minha mãe. Talvez por isso mesmo tomei coragem para dar o primeiro salto na primeira ondinha da manhã. O raio de sol me envolvia fraquinho, com uma leve brisa de outono. A força com que minha mãe segurava a minha mãe era o sinal de que eu poderia aventurar-me neste adorado desconhecido.
Pés, pernas, braços. Este foi o caminho da água ainda gelada. Acostumada com banhos morninhos, estranhei um pouco, mas só um pouco. Logo me acostumei com o arrepio nas costas. Achei engraçado sentir minha calcinha de babadinhos pesada. Achei que pela emoção tinha feito alguma coisa errada, mas não, a areia, tão fininha, entrava assim, sem permissão mesmo. No meio de uma onda, minha mãe sumiu e eu senti um gosto estranho na boca. Como quem salva um tesouro, minha mãe me puxou pela mão, fazendo-me tossir a água engolida. O choro incontrolável foi o sinal de que a nova lição bastava por aquele dia. Chorei ainda mais ao ver o mar ficar longe, longe. Mas não fazia mal. O importante é que eu tomaria muitos e muitos outros banhos como aquele e que este gigante maravilhoso seria meu parceiro, para sempre.

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Alvo

Tudo é gatilho: oportunidade, candidato ou suicídio.