sexta-feira, 22 de julho de 2016

Manha

Átrio, atributo do inacabado,
lapidar radiante do verbo sem sentido.
Infinito obsessivo do ponto contínuo.

Gesto fálico da manhã insípida.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Em outras galáxias procuro
pó de fada, sereias e pirlipins.  
Sem lógica, ais de mim.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Vento no sicômoro

Sopra o 
e os olhos flutuantes suspiram memórias
na aresta infinita do sargaço esguio.
Sereias ensimesmadas banham-se em ondas de lavanda.

A raga implora para o vento xucro.
Me leve, me arraste.
E o vendaval incrédulo anseia o apagar
de seu corpo toda dor.

Levo as mãos em concho ao ouvido
Ruídos rasgam-me a alma orquestrados
pelo escritor zen.


A cura do berimbau é nada
e reflete no oceano de quens

calada pelos esturros etéreos. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Gris

Gris perfis
Intenções vis
Ações sutis
Desejos anis
Sem fins

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Céuzento

Vejo céu no cinza
em brumas urbanas
anseando pela aurora.
Espectros de anjos observam

e rogam por um desfecho abissal.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Crendices

Xango mandou banho de ofurô em estrela.
 Ya raiou em mantra e implorou pelas núpcias da escuridão.
Lágrimas rastejaram em mantra de avenca perfumada.
Fez-se silêncio abissal. Neste instante, renasceu o pomar de abios.
Todos engoliram o sobranceiro.
O sopro secular assoviou lambendo úlceras e algos.
Vomitou elogios etéreos.
Enquanto o espírito entretece uns oráculos,
Jasmins bailam e se calam.
O baile da concha alva jaz além.
perdido no papel de arroz.
Entre o sublime toque do unicórnio e a radiação infinita. 
Pedras me elogiam. Orgulho irrequieto.
Certeza do concreto invisível e do calabouço.

Eu em mim. 

domingo, 10 de abril de 2016

Lendas

O unicórnio esconde-se na profundeza abissal
Temendo o espelho de rima e renúncia
Reflexo do erudito inacabado


Enterra o arco-íris e lágrima. 

Famintos

Famintos e regenerados, os ácaros nos gânglios
lambuzam-se em mentiras e teares
Sob o assédio do ópio, regozijam-se
e lamentam o abismo como fim do desassossego.

A palavra em seu estado puro, morre.
Renasce o tímpano.
Baleias azuis rodopiam na mira de manadas de vendavais.
A dança do quarto é infinita.

A viola de gamba cala-se. O silêncio triunfa.
A avenca prenuncia o fim do éden
à sombra da luz do biombo.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vitrais

Favas raras de luz ecoam.
Avistam a pele da paisagem
sentindo o sabor da tábua santa.
Cópulas renascem na planta de jade

e descansam no vitral quebrado.

Trovôes

Trovões golpeiam e os deuses vibram: é o fim.
Revelada a nudez da água, a brisa desfalece no acalanto do banzo.

Camáldulas, perdidas em quietudes, anseiam na buliçosa reboada dos coqueiros.